Quinze Anos de História Econômica Brasileira Sob Quatro Diferentes Presidentes da República
Preâmbulo: Nos últimos quinze anos, de 2010 até o presente, o Brasil teve quatro ocupantes distintos chefiando a Presidência da República: Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula. Você talvez ficará surpreso em saber sob quais desses governantes a Bolsa de Valores teve o melhor e o pior desempenho ao longo do respectivo mandato.
Mas você poderá dizer "ah, mas eu não me interesso por assuntos de Bolsa de Valores, nem tenho dinheiro pra investir, o que ganho mal paga as contas". Obviamente você tem todo direito de não se interessas pelo assunto Bolsa ou qualquer outro tema similar, que podem ser até mesmo enfadonhos para grande parcela do público.
Mas o seu (legítimo) desinteresse não elide nem elimina o fato de que em todos os países do mundo onde existe a chamada "economia de mercado", ou o vulgo capitalismo, as bolsas de valores são mais do que o termômetro mais fiel da economia: elas são de certa forma seu oráculo secular, pois antecipam em larga medida, muitas vezes com antecedência de várias semanas, o cenário econômico (bom ou ruim) que virá pela frente.
Foi assim na Crise de 1929 nos EUA que contaminou o mundo inteiro, foi assim no boom econômico do pós-guerra nos anos cinquenta, que deu origem aos anos dourados também nos EUA. Foi assim na primeira crise do petróleo do anos setenta, que atingiu o Brasil em cheio em plena ditadura militar, dando início à escalada da dívida externa brasileira de então.
A Bolsa antecipou a derrocada dos extintos tigres asiáticos entre o final dos anos oitenta e quase toda a década noventa, com desdobramentos atingiram em cheio os países emergentes. No Brasil, os desdobramentos dessa crise quase levaram à derrocada do Plano Real em meados do segundo mandato de FHC, quando a paridade US$ 1,00 = R$ 1,00 chegou ao fim em 1999 diante de uma crise cambial gigantesca que atingiu Brasil, Rússia, Mexico, entre outros.
A Bolsa de Valores antecipou o boom do mercado internacional de commodities agrícolas, basicamente entre 2003 e 2009, que rendeu enorme popularidade a Lula e permitiu a ele fazer sua sucessora em 2010, Dilma Rousseff.
Essa mesma Bolsa captou antecipadamente os sinais do desastre da política econômica de Guido Mantega, ministro da Fazenda de Dilma e que ja era ministro desde 2006, de Lula. A fraqueza política de Dilma, fez Guido Mantega se fortalecer com sua visão de desenvolvimentismo por intervenção e indução estatal, chamada eufemisticamente de Nova Matriz Econômica, que resultou num desastre econômico.
Resultado dessa nova matriz: crise generalizada, queda drástica do PIB, desemprego em massa, afrouxamento fiscal, descontrole de contas públicas, derretimento do valor das ações das grandes estatais (Petrobrás chegou a perder 95% de seu valor de mercado) e por fim as pedaladas fiscais de Dilma que foram apenas o antessala para seu impeachment.
Foi o único período de mandato presidencial nesses quinze anos em que a Bolsa teve quedas seguidas em todos os anos, a exceção de um. Conforme mostraremos em artigo mais completo nesse domingo, com fontes e dados mais detalhados, outros momentos relevantes da vida econômica nacional, desde a crise causa pela greve nacional dos caminhoneiros de 2017 no Gov Temer (que custou uma fração apreciável do PIB daquele ano), até a pandemia covid e outros, a Bolsa de Valores sempre emitiu antecipadamente os sinais de tempestade à vista no horizonte econômico.
Portanto, o leitor que não tem interesse ou gosto por assuntos relacionados a mercado financeiro e de capitais pode, se desejar, seguir ignorando notícias diárias sobre Bolsa de Valores. Mas não pode perder de vista que é ali, na Bolsa, na Praça Antônio Prado na capital paulista, que reside o oráculo que vai dizer como vai estar seu emprego, sua renda e seus negócios no futuro imediato.